Missão Urbana

União Central Brasileira

Sem lugar para o Orgulho

Marian Anderson, a contralto americana negra que ganhou merecidamente um concerto solo mundialmente consagrado, não simplesmente cresceu, mas cresceu em simplicidade. A despeito de sua fama, ela continuava graciosamente acessível… Nunca tirou os “pés do chão”. Um belo modelo de humildade.

Uma repórter, enquanto entrevistava a senhorita Anderson, perguntou a ela qual teria sido o maior momento de sua vida. Ela teve muitos grandes momentos. A escolha pareceu difícil para outros que estavam com ela na sala aquele dia. Por exemplo:

  • Um regente chamado Arturo Toscanini anunciou que “uma voz como a dela aparece uma vez por século”.
  • Além disso, em 1955 ela se tornou a primeira pessoa da raça negra a cantar na Companhia Americana de Ópera, em Nova Iorque.
  • No ano seguinte sua biografia “Meu Senhor, Que Manhã”, foi publicada… como Best-seller (estava entre os mais vendidos).
  • Em 1958 ela se tornou representante dos Estados Unidos nas Nações Unidas.
  • Em muitas ocasiões durante sua ilustre carreira, ela recebera várias medalhas de todas as partes do mundo.
  • Em um momento memorável, ela deu um concerto privativo na Casa Branca para a família Roosevelt e o rei e a rainha da Inglaterra.
  • Sua cidade natal, Filadélfia, em uma ocasião, a premiou com U$10, 000, como a pessoa que mais havia honrado a cidade.
  • Em 1963 foi premiada com a cobiçada Medalha Presidencial da Liberdade.
  • Para finalizar, houve um domingo de Páscoa em Washington D.C. quando ela ficou abaixo da estátua de Lincoln e cantou para uma multidão de 75 mil pessoas, incluindo os membros do Gabinete, Suprema Corte, e muitos outros do Congresso.

Qual desses grandes momentos ela escolheu? Nenhum deles. A senhorita Anderson discretamente disse para a repórter que o grande momento de sua vida foi o dia em que ela foi para casa e disse para sua mãe que ela não precisaria mais trabalhar lavando roupas.

Alguns colegas vão para terras distantes para esconderem suas origens humildes. Muitas vezes nós pensamos que devemos “mascarar” a verdade do nosso passado para que não pensem de maneira inferior sobre nós – especialmente se o nosso hoje for muito mais respeitável que o nosso ontem. Mas a verdade é que, quando tiramos nossas máscaras, as outras pessoas normalmente não são repelidas; elas são trazidas para mais perto de nós. E freqüentemente, quanto mais doloroso e embaraçoso for nosso passado, maior é a apreciação e respeitos dos outros para conosco. A declaração de Marian Anderson simplesmente aumentou nossa admiração para com ela.

Soube há algumas semanas atrás que um homem que eu conhecia já há algum tempo sofreu um colapso emocional no início de sua vida. Ele chegou a ser hospitalizado. Sofreu muito para conseguir voltar ao normal. Quando essa notícia chegou até mim, eu, imediatamente senti-me compelido a abraçá-lo, para expressar um profundo e renovado respeito por aquele homem. Mas para ele isso representava uma memória, uma cicatriz muito feia para ser exposta.

O profeta Isaías menciona algumas coisas para mantermos em mente: “…Ouvi-me, vós os que seguis a justiça, os que buscais ao SENHOR. Olhai para a rocha de onde fostes cortados, e para a caverna do poço de onde fostes cavados.” (51:1) Isso soa muito mais nobre e respeitável do que seu significado literal.

Que conselho excelente! Antes de ficarmos apaixonados com a nossa grande e poderosa importância, é bom dar uma olhada ao passado de vez em quando, para “a rocha de onde fomos cortados, e para a caverna do poço de onde fomos cavados”, de onde Cristo nos tirou. E não vamos somente pensar nisso, vamos admitir esse fato. É uma maneira de nos mantermos num mesmo nível – receitas da graça. E não se engane, até mesmo aqueles enaltecidos e admirados possuem “buracos” de onde foram cavados.

  1. Para Moisés foi um assassinato
  2. Para Elias uma profunda depressão
  3. Para Sansão foi um passado de luxúria
  4. Para Pedro, uma negação pública a Jesus
  5. Para Tomé, uma dúvida cínica
  6. Para Jacó, um estelionato
  7. Para Raabe, uma prostituição
  8. E para Jefté, seu nascimento ilegítimo

Nem mesmo aquele grupo de reformistas tiveram seu passado branco. Alguns deles se arrastaram pelos mais profundos, sujos, escandalosos “buracos” que se podem imaginar. E foi isso que os tornou homens humildes e modestos… não esperando serem glorificados ou adorados. Pois eles ouviram os conselhos de Isaías e olharam para “a rocha de onde foram cortados, e para a caverna do poço de onde foram cavados”, e não encontraram lugar para o orgulho.

Marian Anderson nunca esqueceu suas raízes de pobreza. Nenhuma publicidade nunca a irá deixar esquecer de sua mãe lavando roupas para colocar comida em seu estômago. Eu tenho a impressão de que toda vez que ela se entretém em sua importância, um olhar rápido ao passado tráz de volta sua humildade. E a melhor parte disso é que ela não esconde o fato.

Na próxima vez em que estivermos tentados a acreditar em nosso próprios feitos, precisamos somente olhar para “a rocha de onde fomos cortados, e para a caverna do poço de onde fomos cavados”. É uma maneira de derrubar nosso orgulho.

 

Aprofundandos suas raízes
Exodo 2; Juízes 11 e 12; Marcos 14:27-31, 66-72

 

Ramificando
1. Em uma palavra, descreva seus dias/anos quando criança:
Qual sua contribuição/valor que esses anos tiveram que fazem de você o que você é hoje?

2. Admita algum de seus “buracos” para algum amigo de confiança.

3. Se um repórter lhe perguntasse qual o maior momento de sua vida, qual seria sua resposta?

 

Growing Strong In The Seasons Of Life (Crescendo nas Estações da Vida)