Missão Urbana

União Central Brasileira

Plantar ou Construir Igrejas?


Roger Greenway. Adaptado por Emilio Abdala

Ao iniciar meu novo trabalho em uma grande metrópole, uma questão inevitavelmente é levantada quanto às dificuldades de se plantar igrejas em grandes cidades como Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro e outras. Comparado com os recursos necessários para abrir igrejas no interior ou na zona rural, plantar igrejas em grandes cidades parece mais custoso do que o orçamento de nossas associações e missões podem permitir. Ellen White levanta a questão quanto à realidade urbana que vivemos e a reavaliação do valor dos edifícios tradicionais:

“Tem sido um problema difícil saber a maneira pela qual alcançar o povo nos centros densamente populosos. Não temos permissão de entrar nas igrejas. Nas cidades, os salões grandes são caros e, em muitos casos, apenas poucas pessoas vão aos melhores salões. Os que não nos conhecem falam mal de nós. As razões de nossa fé não são compreendidas pelo povo, e temos sido considerados como fanáticos como quem ignorantemente guarda o sábado em lugar do domingo.” (Evangelismo, p. 39)

Este artigo irá examinar os prós e os contras de se ter edifícios de igrejas nas grandes cidades e sugerir prováveis soluções para decidir se devemos construir e o que construir.

Os prós

Há vantagens óbvias de se edificar igrejas. Um prédio fornece à congregação um endereço fixo e lugar que sirva aos membros como referência na comunidade. Um prédio pode ajudar a transmitir um senso de identidade tanto para os membros como para a comunidade. Há a vantagem de se ter salas apropriadas para atender às necessidades dos ministérios da igreja além de providenciar um auditório para a adoração congregacional. É muito importante ter privacidade para os momentos de cultos, para o aconselhamento e para as várias reuniões da igreja. Usados de maneira apropriada, os recintos de uma igreja podem ser um tipo de oásis para a renovação espiritual e emocional dos membros no contexto urbano.

Além disto, a construção de um edifício transmite uma mensagem à vizinhança. Mostra que os adventistas que estão realizando esse investimento “vieram pra ficar.” Não realizam apenas uma operação temporária, como muitas vezes somos acusados pelos evangélicos durante nossas campanhas evangelísticas. Talvez seja por isso que em alguns lugares, a audiência aumenta após o término de uma construção. O compromisso dos membros para com um projeto de construção serve também como medida da lealdade e entusiasmo pela igreja e seu ministério. Um programa de construção é um termômetro da vida congregacional, porque os membros sentem-se parte daquilo que eles investiram seu dinheiro. As pessoas são menos inclinadas a deixar uma igreja que eles colocaram seu dinheiro.

Certamente que um preço precisa ser pago para isso, mas se for maximizado a presença de um edifício em uma cidade ao ponto de usá-lo para atender as necessidades daqueles que se adentrarem por suas portas, valerá a pena o investimento.

Os Contras

Precisamos também considerar o lado negativo da questão. Quanto custa abrir uma igreja em São Paulo, Salvador, Rio ou Curitiba? Quando as associações e missões examinam os tremendos custos envolvidos em plantar uma igreja nas grandes cidades, os líderes desanimam. Familiarizados com o relato do crescimento da igreja no interior onde os terrenos são baratos e a mão de obra é feita quase sempre no sistema de mutirões, eles ficam relutantes quanto a considerar as áreas urbanas onde tudo é custoso. Por isso, vários princípios e orientação são dignos de consideração:

Orientações para os Construtores

  1. Priorizar as pessoas em vez de propriedades: Não encontramos no Novo Testamento nenhuma instrução relacionada ao dever dos cristãos em construir prédios para o seu uso. Em Jerusalém, os cristãos usaram o templo até quando puderam, mas após a perseguição, eles se espalharam e passaram a usar casas, auditórios alugados ou ao ar livre.
  2. Cuidadosa consideração deve ser dada aos fatores localização e arquitetura, caso se decida comprar ou construir uma igreja. Lugares escondidos prejudicam a igreja nos anos vindouros. Pode custar mais adquirir uma propriedade em uma boa locação, mas o ganho é compensador nos anos seguintes. A arquitetura não deve ser entregue ao gosto do arquiteto, mas expressar a filosofia de ministério adventista. Se o edifício possui apenas o auditório, a igreja pode estar dizendo à comunidade que ali é meramente um lugar para que as pessoas se assentem nos bancos, cantem, orem e depois vão embora. É necessário estudar as necessidades das pessoas que eles desejam alcançar e o tipo de ministério que pode ser usado para alcançá-los. Deve haver também simplicidade no design. À luz das necessidades da missão, nada justifica o gasto dispendioso que geralmente é colocado em certas construções. Eu me arrisco a dizer que a riqueza que é gasta em algumas construções não é para a glória de Deus, mas uma demonstração de orgulho e vaidade pessoal.
  3. A aquisição de edifícios nunca deveria ser uma regra fixa e inquestionável na estratégia de missão. Do ponto de vista do Novo Testamento, o edifício é uma opção, um aspecto pragmático que cada campo deve decidir em seu próprio tempo e lugar. O aluguel de salões deve ser considerado em locais onde o preço das propriedades é alto.
  4. Deve-se considerar o uso dos pequenos grupos na evangelização urbana. Não há melhor estrutura para promover o crescimento da igreja, o discipulado, o treinamento da liderança e a formação de comunidade do que as igrejas no lar. Grandes serviços de adoração são úteis, mas em grandes cidades, os pequenos grupos são mais eficientes para penetração nos condomínios, classes sociais e vizinhanças.

Concluindo, considere a questão à luz da diferença entre um transatlântico que realiza viagens de cruzeiro e um couraçado de guerra. Navios de cruzeiro são belos. Quem não fica admirado com as propagandas de viagens de férias a bordo desses “Titanics” modernos que possuem salões deslumbrantes, piscinas e camarotes confortáveis. Foram construídos para relaxamento e descanso. Por outro lado, o navio de guerra não tem móveis de madeiras nobres, piscinas nem serve champanha. Mas eles são bons na batalha porque para isso foram planejados. A igreja pode ser como um iate de descanso ou como um couraçado de guerra. Qual é o propósito da igreja no mundo? Queremos realizar uma viagem de cruzeiro ou lutar as batalhas do Senhor nas cidades?

 

Questões para discussão

  1. Você conhece alguma igreja que se reúne em um salão alugado? Quais as vantagens desse arranjo?
  2. Qual tem sido sua experiência com as igrejas nos lares e os pequenos grupos? Suas necessidades espirituais são satisfeitas sem as reuniões em grandes igrejas com edifício próprio?
  3. Qual é a sua proposta para resolver o problema dos altos preços dos imóveis, os recursos limitados e a necessidade de multiplicar igrejas?

Roger Greenway, Cities: Mission’s New Frontier, p. 154-165.