Missão Urbana

União Central Brasileira

Manual do Ministério em Prisões

 

 

PREPARADO PELO DEPARTAMENTO DE ATIVIDADES LEIGAS DA CONFERÊNCIA GERAL DOS ADVENTISTAS DO 7º DIA

 

  • Prefácio
  • Introdução
    • Capítulo 1 – Qualificações para o Serviço.
    • Capítulo 2 – Comunicando com o Prisioneiro.
    • Capítulo 3 – Aprendendo a conhecer os prisioneiros e como conversar com eles.
    • Capítulo 4 – Como começar o trabalho na prisão.
    • Capítulo 5 – O programa de Adoração para os presos.
    • Capítulo 6 – Dando estudos bíblicos para os presos.
    • Capítulo 7 – Ministério para as famílias.

PREFÁCIO

A comissão para o remanescente da igreja é apresentar o evangelho de um Cristo amorável para toda a humanidade.

“Lembre-se daqueles na prisão como se você estivesse lá com eles; e aqueles que estão sendo maltratados como se fossem vocês próprios os sofredores.” Hebreus 13:3.

Durante toda a história dos Adventistas do 7º Dia um ministério para os menos afortunados tem sido parte integral do Evangelismo missionário da igreja. Em maio de 1974 o departamento de atividades leigas da Conferência Geral organizou um comitê de ministério em prisões em Takoma Park com o propósito de desenvolver um programa nacional unificado do ministério em prisões. Um número de excepcionais membros de igreja da Divisão norte-americana, que estão engajados no evangelismo ministerial em prisões, foram convidados para assistir essa conferência.

O departamento de atividades leigas da conferência geral, deseja reconhecer sua profunda gratidão para as seguintes pessoas que fizeram valiosas contribuições na preparação deste manual.

Nomes – Vide o original.

Esperamos que este manual estimule milhares de leigos a se envolver com esse ministério de amor.

INTRODUÇÃO

Cristo identifica a si próprio com cada criança da humanidade. Na ordem “Que nós podemos nos tornar membros da família celestial pois, Ele se tornou membro da família terrestre. Ele é o filho do homem e assim um irmão de cada filho e filha de Adão. Seus seguidores não podem sentir eles mesmos, isolados do mundo gelado que está ao se redor… o caído, o enganado, e o pecador, o amor de Cristo abraça-os; e todo ato de bondade feito para levantar uma alma caída, todo ato de misericórdia é aceito como feito a Ele”. (DTN p. 638)

O capítulo 25 de Mateus apresenta o fato que quando alguém abre a porta ao necessitado e sofredor, está recebendo anjos. “Era Eu que estava com fome e sede. Eu era um estranho, Eu estava doente, era Eu que estava na prisão. Enquanto você festejava em sua mesa repleta, estava faminto num casebre ou numa rua vazia. Enquanto você estava cômodo em sua casa, e Eu não tinha onde deitar minha cabeça. Enquanto você enchia seu guarda roupa com peças finas, Eu estava despido. Enquanto você buscava seus prazeres, Eu padecia na prisão.” (DTN p.639, 640)

“No grande dia de julgamento, todos que não tiverem trabalhando para Cristo, que tem permanecido ha muito pensando neles próprios, cuidando de si próprios, serão colocados pelo juiz de toda a terra com todos que praticaram o mal. Eles receberão a mesma condenação”. (Idem p. 641)

Nos Estados Unidos agora existem aproximadamente 4.000 presos em cadeias. Além disso existem 32 penitenciárias federais. Em cada uma dessas instituições existem seres humanos precisando de consolo.

O propósito desse manual é formar vários princípios básicos e linhas guia para todos que queiram se envolver no evangelismo em prisões.

O programa de evangelismo em prisões, começa onde quer que exista um preso esperando ser entendido e quem é também disposto a entender Jesus Cristo.

O Evangelismo ministerial em prisões dos Adventistas Sétimo Dia, tem vários objetivos sociais e espirituais. Os objetivos espirituais podem ser definidos como seguem:

  • Apresentar o Evangelho de Jesus Cristo.
  • Dividir o amor de Deus.
  • Expressar o significado da fé.
  • Mostrar o poder da oração.

Alguns objetivos sociais são:

  • Prover um elo entre a comunidade e as pessoas confinadas no instituto de correção.
  • Preparar pessoas confinadas para reentrar na sociedade, (psicologicamente, mentalmente, moralmente e espiritualmente).
  • Servir as famílias das pessoas confinadas nos institutos de correção.
  • Prover casa, conselho, trabalho e algumas vezes ajuda financeira para o ex-ofensor.

Ajudar a pessoa a encontrar uma experiência religiosa redimida, envolve o encontrar o mesmo nas pessoas ao seu redor. Saber o significado do perdão envolve ser perdoado e oferecer perdão aos outros. Saber o significado do amor envolve ser amado e ter uma chance para o amor. É difícil para um preso cultuar ao Senhor quando ele não sente Cristo em sua vida e morrendo por ele. Ele constrói sua religião de porções generosas de sua experiência em família, má, boa ou indiferente. Um propósitos do evangelismo em prisões é prover meios de interpretação do amor de Deus para com os prisioneiros. Simplesmente afirmando os objetivos finais do ministério em prisões são mostrados a seguir.

  1. Através de Cristo todo preso é redimido.
  2. Reconstruir o todo no homem.
  3. Trazer à família do preso uma nova forma de vida baseado nos métodos cristãos.

CAPÍTULO 1

QUALIFICAÇÕES PARA O SERVIÇO

Levar almas perdidas a Cristo, é o grande, maior e mais santo negócio conhecido na terra e céu. A pessoa engajada no ministério em prisão (conselheiro leigo) terá o mesmo consenso como que o Senhor afirmou claramente que ele veio procurar e salvar almas perdidas. Existem certas qualidades ou tratos pessoais que um conselheiro leigo deve ter.

  1. Consagração: A primeira e sem dúvida a mais essencial qualificação é a consagração. “Cristo interpelou por uma consagração sem reservas, por atenção ao serviço. Ele exige o coração, a mente, a alma e a força. Egoísmo não é apreciado”. (Christ’s Objetive Lessons, p. 48/49). Ele que ama a Cristo o Senhor, fará a maior importância do bem”. (Desejado de todas as  Nações p. 250).
  2. Fidelidade: Para ter sucesso no evangelismo em prisões, o conselheiro leigo deve ter a qualidade em tomar apontamentos e aparecer em tempo. O líder cristão deve ser fiel nas promessas que faz, custe o que custar. É uma coisa maravilhosa encontrar uma pessoa o qual promessas são certas como o nascer do sol, cuja as palavras simples são tão boas quanto suas palavras, que seja reto o que ele fala que no momento em que fala é certeza que ele o fará. Esse é o tipo de fidelidade que Deus requer.
  3. Perseverança: No nome do Senhor um ministro de prisões poderá trabalhar com a mesma perseverança e incansável zelo que Cristo teve em seu ministério.
  4. Tato e Bom Senso: No trabalho de ganhar almas grande tato e bom senso são necessários. O Salvador nunca suprimiu a verdade mas ele completou sempre em amor. No seu intercurso com outros, Ele exerceu o maior tato, e Ele era sempre gentil e amorável.
  5. Sinceridade: “Não deve existir pretensão na vida de todos que tem tão sagrada e solene mensagem como nós temos sido chamados a apresentar. O mundo está assistindo os Adventistas Sétimo Dia , porque sabem alguma coisa de sua profissão de fé, e de seu grande estandarte e eles vêem aqueles que não vivem conforme a fé que professam, os aponta com escárnio”. (Testemonies vol. 9 p. 23). Essas são somente algumas qualificações essenciais para o serviço vitorioso do evangelismo em prisões. Somando-se a essas qualificações existem características básicas de caráter que são necessárias a um conselheiro leigo.
  • Amor – é um ponto de crescimento sem egoísmo concernente a todas as pessoas envolvidas.
  • Empatia – é a habilidade de interagir com as pessoas e sentir o que elas sentem.
  • Senso de Missão – o desejo de dar a isto prioridade, uma crença de que há alguma coisa que ele ou ela poderia estar fazendo no mundo.
  • Crescimento espiritual – um conselheiro leigo não deve levar somente outros a um crescimento espiritual, mas com sabedoria deve estar disposto e ansioso para crescer melhor. Nós devemos sondar nossas vidas e corações e ver se nos encaixamos em algumas dessas qualificações para um serviço vitorioso.

CAPÍTULO 2

COMUNICANDO-SE COM OS PRESOS

O conselheiro leigo deveria aprender como se comunicar com um preso. Na primeira visita, gaste tempo escutando o preso enquanto ele conta seus problemas e experiências para você o conselheiro. No apêndice há uma seção relacionada com os presos o qual apresenta algumas palavras usadas na prisão (gírias) e o seu significado, que o conselheiro deveria saber. Ele ( o conselheiro ) deve também entender o ponto de vista do preso. A seguir estão algumas regras de como ouvir:

  1. Olhe para quem fala;
  2. Escute-o atentamente;
  3. Atente para as idéias e os sentimentos causados por elas;
  4. Leve em conta seus próprios conceitos;
  5. Concentre-se no que o preso diz;
  6. Faça um esforço de consciência para interpretar a lógica do que você escuta;
  7. Não julgue o prisioneiro pela aparência ou palavras;
  8. Não interrompa imediatamente ao perceber uma sentença errada;
  9. Deixe Cristo, que é a resposta, ter a última palavra e não você;
  10. Não julgue os motivos do preso;

O primeiro encontro sensibiliza o aprendiz e o preso um com o outro. Você nunca deve começar a sessão dizendo ao preso o que você pensa estar errado nele ou que a razão de ele estar na prisão é de que ele não vai a igreja.

Ele freqüentemente ouve isso de seu oficial na prisão, ou do juiz, ou do assistente social, ou do advogado e do oficial de condicional.

Comece perguntando: como posso ajudá-lo? Geralmente isso não é só uma boa abordagem espiritual, mas também uma boa abordagem psicológica. Imediatamente você estará atacando o problema do preso, necessidades básicas e preocupações. Primeiro, o que vamos fazer? Então, aqui está o que Jesus fará por você. Motive o preso e mantenha-o calmo. Compartilhe com ele a sua experiência cristã.

Existem outros pontos de vista básicos que o conselheiro deve apresentar na mente enquanto se comunicam com o preso. O conselheiro deve entender completamente a necessidade social e espiritual do preso. Muitos presos que são completamente sinceros a sua conversão, estão desapontados, que o envolvimento individual em lidar com sua conversão atualmente para, em dar ajuda que eles tão grandiosamente desejam e é tão essencial quando eles são soltos da prisão.

A liberdade que o preso anseia é também a liberdade que ele teme. O preso procura e anseia pela sua liberdade, mas igualmente, teme a liberdade que o priva de encontrar emprego porque seu passado peca contra a sociedade. Esse ponto de vista, e problemas de trabalho são questões que a igreja e todos os envolvidos no evangelismo ministerial em prisões devem tratar.

INSTRUÇÕES PARA OS CONSELHEIROS LEIGOS

Aqui estão alguns conselhos básicos que devem ser assimilados, e um conselheiro nunca deveria deixar sua simpatia ter mais valor que seu bom julgamento quebrar alguns dos que seguem:

  1. Não faça promessas aos prisioneiros que você sabe que não pode manter.
  2. Em momento algum reprima-o acerca de sua condição prévia ou que ele pode ter feito para estar ali.
  3. Se um preso pedir a você uma carta de recomendação para provar ou uma referenda para o programa de drogas, consulte o conselheiro regular de prisão e junto com ele consultará o coordenador do ministério ou o pastor destinado.
  4. Não dar carta aos presos nem pegue deles para enviar.
  5. Não dê aos presos nada além de folhetos, livros e bíblias. Confira isso com o oficial em serviço. Definitivamente, canetas, pentes e artigos similares não podem ser trazidos.
  6. Se um preso requerer de você artigos como, roupas de baixo, calças, camisas, sapatos (os mesmos não ter cardaço ou fivelas) confira com seu conselheiro ou líder primeiro. Esteja certo de que você tem o nome do preso e o seu número de ficha para localização.
  7. Em relação ao preso solto que esteve em contato com drogas, não dê a ele dinheiro ou qualquer coisa que possa se negociada e convertida em dinheiro. Isso é contra a lei:
  8. Não cometa o erro de deixar um preso pensar que pode enganá-lo só porque é cristão. Sê prudente como uma serpente.
  9. Não traga para dentro da prisão, toca-fitas de qualquer tamanho ou câmera de vídeo.
  10. Se uma situação duvidosa surgir, consulte seu líder do ministério.

Estivemos vendo alguns nãos. Agora daremos uma olhada em vários fatores que o conselheiro deve considerar:

  1. Faça anotações dos presos com quem você tem falado ou te impressionado.
  2. Faça visita e cheguem juntos (como um grupo de conselheiros isso é essencial). A prisão designada ou cela e chegue a tempo.
  3. Faça uma lista de quem você tem se encontrado. Use essa lista para fazer chamada todas as semanas. Adicione novos nomes à lista.
  4. Pergunte ao oficial da instituição a possibilidade da visita e se permitido pedir para anunciar em todos os andares.
  5. Faça visita aos parentes dos presos e ajude-os quando puder com contribuições de roupa e comida. Peça aos líderes comunitários uma ajuda mais promissora.
  6. Sempre leve alguém com você durante a visita a casa dos presos. Nunca vá sozinho.
  7. Lembre-se que vocês são hóspedes do instituto de correção. Mostre aos guardas e chefes do presídio a sua disposição cristã Adventista. (Testemunho).
  8. Lembre-se a cada conselheiro de relatar suas visitas, e materiais distribuídos à secretaria do programa de visitação.
  9. Faça um relatório escrito ao seu líder de ministério e também para o pastor da igreja relatando o andamento do trabalho de visitação e estudo.
  10. Lembre-se da responsabilidade que você como conselheiro possui. Cada ação movida em favor de salvar almas é um ganho para a obra de Deus.
  11. Lembre-se em vários casos, você sustenta a fé e o amor daquele preso, inclusive a esperança de um futuro melhor. Lembre-se, através de Cristo todo preso pode se redimido.

CAPÍTULO 3

APRENDENDO A CONHECER OS PRESOS E COMO FALAR COM ELES

Alguns indivíduos apresentam certa dificuldade em falar com presos. As perguntas mais freqüentes são.: Como falar com eles? Como se tornar amigo deles? Não existem segredos em se comunicar com os presos. Deve-se lembrar que o preso é também um ser humano como qualquer outro. É o ponto onde muitas pessoas erram, pois acham que quando vão a um presídio, estão indo a um “zoológico” para ver animais.

Nós não devemos perder a visão de que o preso está lá porque quebrou as leis impostas pela sociedade, e a mesma acredita que eles tem que pagar pelo que fizeram. Muitos são realmente culpados, mas outros podem não o ser. Outros podem também estar ali por causa da vontade e desmando de outros ou porque queriam somente conseguir o sustento para suas famílias, mas foram enganados por outras pessoas. O conselheiro deve considerar tudo isso.

Alguém que tem estado encarcerado por 7 anos, faltando ainda 44 anos de pena diz que o seu verdadeiro crime foi a ignorância. Na ignorância ele afirmou: “Com a ignorância é impossível converter ou até prender, mas tranque a ignorância presa numa caixa tudo que se tornar possível. O único feito que o estado consegue chegar perto desse preso é ensinado-o alguma profissão prática.

Como conselheiros, devemos aprender a como ganhar a confiança deles e assim saber de seus problemas e como poder ajudá-los.

Abaixo segue uma lista de 7 sugestões de como ganhar a confiança e o respeito dos presos.

  1. Sempre apresente preocupação, principalmente em suas palavras e atitudes.
  2. Saiba quando falar e quando escutar, mas esteja certo que você está no controle da situação.
  3. Faça apenas promessas que você possa cumprir.
  4. Nunca dê uma falsa impressão – explicando o que você pode fazer ou não.
  5. Nunca comprometa suas idéias ou crenças.
  6. Tente tratar dos problemas você próprio dependendo apenas do conselho divino.
  7. Encoraje o preso a expor seus pensamentos e sentimentos para chegar a entrega de seu coração.

Se o conselheiro seguir essas instruções verá que não existem segredos para a comunicação com o preso. É muito difícil chegar a ele a menos que você já tenha tido essa experiência. Por isso nunca diga a ele: eu sei o que você está sentindo, pois você nunca esteve onde ele está. É melhor dizer: deve ser difícil para você. Mas o que determinará se você vai ajudá-lo ou não, são suas palavras e seus esforços em ajudá-lo. O conselheiro deve oferecer primeiro o companheirismo, segundo o ensino e terceiro a pregação. Uma vez aceito pelo preso, metade da batalha está vencida, pois agora ele estará pronto para escutar o que você tem a dizer.

Lembre-se que 1º o preso deve aceitar ser seu amigo, e só depois desse passo levá-lo a crer que ele também é um ser humano e merece a salvação e o perdão de seus pecados. A primeira questão que vem à mente de um preso é: como saber se ele ( o conselheiro) realmente se importa comigo? Isso se deve ao fato de que em toda sua vida ele tem visto pessoas se achegar a ele dizendo que os ajudaria, mas na verdade os prejudicaram mais ainda.

Você pode entrar em uma instituição e falar sobre o cuidado de Jesus, mas o preso irá olhar você. Uma vez que ele tenha decidido que você se importa com ele, daí então você pode mostrar o amor de Deus através de instrumentos humanos.

Você deve dizer também: porque me importo com você, quero compartilhar a alegria que sinto quando estou em comunhão com Cristo.

Não é qualquer um que o preso aceita como amigo, pois muitos estão lá com as mesmas atitudes daqueles que crucificaram a Cristo. Por isso as escrituras dizem.: “Sê prudente como a serpente”. Você deverá ter amor puro para tratar com essas pessoas.

Vamos dar uma olhada mais de perto no preso que você vai ministrar. Na sua maioria eles não estão unidos a nenhuma igreja. Outros tem uma formação religiosa que vem de casa e ainda os acompanha mesmo estando presos.

De acordo com o conselho de rabis, existem 100 judeus presos para uma população de aproximadamente 11.000 mil. Vários são negros ou hispanos. De qual quer modo o fator que predomina entre eles é a sua condição sócio-econômica. Por serem das classes sociais mais baixas, muitos deles não tem conhecimento nem de seus direitos quando presos.

Os jovens em sua maioria são usuários de drogas, pois para manterem seu vício, tem de roubar e até matar para conseguir o dinheiro das drogas. A maioria desses presos tem convicção de seus crimes, tem pouca educação (nível de escolaridade), são pobres, não tinham emprego quando foram presos. Essa é a situação que você vai encontrar. Logo abaixo relacionaremos alguns itens que irão ajudá-lo e até protegê-lo no trato com os presos:

  1. Não dê número de telefone aos presos, exceto o da igreja.
  2. Não dê seu endereço nem o de outra pessoa em tempo algum.
  3. Quando em conselho, o preso costuma a passar alguns fatos de sua experiência familiar passada. Quando isso acontecer, passe essas informações para o líder do ministério e investigue se existem contas a pagar e deixe que os familiares saibam que ele se importa e que ajudá-los.
  4. Não permita que eles se tornem pessoais demais com você. Você será sempre, senhor, senhora, senhorita ou irmão e irmã. Os conselheiros estão fazendo este trabalho para o mestre e devem fazê-lo com zelo e ordem.
  5. Nada deve ser dado aos presos ( carta, selo, roupas, lápis, caneta ), pois a instituição do estado deve prover tudo isso a eles. Sempre consulte o diretor do presídio ou oficial encarregado para proceder dentro das normas do estabelecimento.

CAPÍTULO 4

COMO COMEÇAR O TRABALHO NA PRISÃO

O trabalho desenvolvido pelo Ministério evangelístico deve ser uma preocupação de toda a igreja local. Devem haver pessoas indicadas pela membresia para fazer parte desse trabalho grandioso de salvação de almas.

Todos podem ajudar de alguma forma. Abaixo vamos mostrar cada função do ministério e como são as características que devem ter:

O Coordenador – esse deve ser um bom líder, pois precisará dessa qualidade para comandar os trabalhos. Ele coordena desde os grupos de igreja até os que estão envolvidos diretamente no trabalho.  É ele quem vai até o diretor do presídio e faz todos os arranjos necessários para a visita.

O Conselheiro-chefe – geralmente é aquela pessoa que já trabalhou com esse tipo de evangelismo e já conhece tudo o que é necessário para desenvolver um bom projeto. É ele quem treina e capacita todos os que desejam ser conselheiros leigos e os divide para um trabalho mais eficaz.

O Líder da Música – tem de ser uma pessoa dinâmica e que goste de cantar sempre. Suas músicas devem refletir grandes idéias e deve encorajar o preso a se decidir na hora certa.

O Secretário de Literatura – é responsável pelas bíblias, folhetos e todo tipo de literatura que for necessário durante o programa. Esse deve manter sempre um relatório das atividades e um registro de cada coisa feita com e pelo preso.

O Escrivão – essa pessoa tem de ser de confiança extrema, pois é ela que vai guardar e gravar toda a conversação para ser de ajuda futura ao preso.

O Secretário de Saúde e Bem-estar – essa pessoa deve trabalhar diretamente com a ADRA, para prover quando necessário ajuda para o preso e sua família.

O Instrutor Bíblico – esse é o homem do corpo a corpo, pois estará fazendo visitas regulares aos presos e o mais importante de tudo, estará ensinando aos presos todas as verdades celestes. Deve ser consagrado e profundo conhecedor da bíblia.

O Vice-conselheiro – estará sempre ao lado do líder para fazer as seguintes coisas:

  1. Preparativos
  2. Audiência
  3. Provas
  4. Ver sentenças e audiências.

Não pode começar esse trabalho se as regras da instituição penal não forem seguidas. Existem sistemas federais, estaduais e militares, que devem ser conhecidos e seguidos à risca por esse grupo. Em cada cidade existem liberdade ou proibição desse tipo de trabalho. Muitas instituições permitem que várias religiões façam esse trabalho, já outras o processo é mais delicado.

Existe um limitado número de técnicas que podem ser usados nesse trabalho. As pessoas dispostas a esse tipo de trabalho na igreja também é limitado e poucos querem estar nesse trabalho.

Abaixo vão idéias de métodos úteis:

  1. O passo mais recomendado é que, com a permissão do diretor da cadeia, se faça uma pesquisa para saber quantos presos desejam estudar a bíblia. A igreja recebe essas pesquisas de volta e assim começa a planejar o programa e a maneira a ser realizado.
  2. Outra forma é ajudar a reintegrar ex-detentos na sociedade, ajudando-os a achar trabalho e moradia. Deve se ter muito cuidado pois muitos ainda não são convertidos.
  3. Ainda outra forma é fazer companhas onde você possa implementar pequenos cursos como: vida total, como deixar de fumar em 5 dias, programas anti-fumo, anti-drogas, palestras, atendimento médico voluntário ou oficinas de aprendizagem.

CAPÍTULO 5

O PROGRAMA DE ADORAÇÃO PARA OS PRESOS

Esses tipos de programas devem começar e terminar de acordo com os horários previstos pela direção do presídio.

Abaixo segue o esquema de um programa que pode ser usado na íntegra o servir como base para outro:

  • Serviço de cântico – 15 minutos
  • Oração e música inicial – 5 minutos
  • Aconselhamento – 30 minutos
  • Música especial – 3 minutos (pode ser feito também pelo preso)
  • Sermonete – 15 minutos
  • Música especial – 3 minutos
  • Testemunho pelo preso ou pelo conselheiro – 8 minutos
  • Música final e oração – 6 minutos

Tempo total aproximado: 85 minutos.

É claro que esse programa varia de acordo ao tempo permitido de visitação pela intituição.

Num programa como esse não pode faltar material de espécie alguma, pois isso pode significar problemas e a perda de interesse do preso.

CAPÍTULO 6

DANDO ESTUDO BÍBLICO AOS PRESOS

Presos são pessoas com mistos de esperança e desespero com relação ao futuro. Muitos ainda procuram caminhos errados na vida, mas porque não existe ninguém que dê a eles a luz da esperança em Cristo Jesus.

Por não conhecerem a Cristo, aparece agora a nossa frente a oportunidade de levar o evangelho a essas pessoas que estão sofrendo sem saber que existe esperança para suas vidas. Daí a grande oportunidade de se fazer campanhas de sucesso para depois colherem os resultados.

Há uma mensagem a ser dada a pessoas que precisam ouvi-la.

  • Preparação para os estudos bíblicos.
    1. O primeiro passo é deixar que o Espírito Santo de Deus esteja presente em sua vida. Isso só pode ser conseguido com muita oração estudo e preparação. Essa preparação é necessária para colocar o instrutor bíblico em sintonia direta com Deus e ajudá-lo a transmitir a mensagem de uma maneira clara para o preso.
    2. O instrutor deve ser profundo conhecedor do seu objeto de estudo: Jesus Cristo. A experiência pessoal com Cristo é necessária para poder ensinar sobre Ele aos outros.
    3. O instrutor dever ter verdadeiro amor pelo seu irmão ou irmã. Deve estar comprometido com o trabalho, sacrificar e dedicar seus talentos e conhecimentos de Cristo. Quando nos entregamos totalmente ao poder de Deus, o amor cresce em nossa vida de tal forma, que ao expor a mensagem, o preso percebe que conhecemos a quem pregamos.
    4. Ao dar o estudo bíblico o instrutor deve saber e ser consciente e igualmente sensível as condições físicas, mentais e sociais do preso. Depois de tanto confiar em meios e mais meios de esperança que falharam, o instrutor deve ter bastante cuidado para não perder a chance de mostra-lhe a esperança em Jesus. O preso sente raiva, rancor da sociedade e isso deve ser trabalhado com ele de forma que consiga fazê-lo enxergar o mundo de uma forma diferente.
    5. O instrutor deve estar familiarizado com o tema de estudo e deve dominá-lo acima de tudo.
    6. O instrutor deve ser sensível as noções de cristianismo do preso.
  • Dando estudos bíblicos.
    1. Sempre comece com uma oração.
    2. Antes de começar os estudos tenha um acordo com o preso com respeito a:
      1. O livro de estudo ( a Bíblia)
      2. O número de lições.
      3. O tempo de cada lição.
      4. A maneira como o estudo vai ser ministrado.
      5. A  cortesia recíproca esperada por ambos.
    3. O tempo é fator essencial para os estudos. Lembre-se de que cada instituição penal tem suas regras que devem ser seguidas.
    4. Sempre atente para lição a ser considerada. Não fuja do assunto, mas também deve se tomar cuidado para não ser grosseiro com o preso, evitando assim que ele desista dos estudos e essa porta seja fechada. Se o preso buscar outro assunto, escute-o e traga-o de volta dizendo que haverá outra oportunidade para estudarem isso.
    5. O instrutor deve sempre falar numa voz audível e sempre na linguagem que o preso possa compreender, para assim ter a condição de entender e aceitar todas as verdades pregadas.
    6. Onde for possível fazer sempre um círculo para que haja maior interação e discussão para uma melhor compreensão dos temas apresentados.
    7. Veja se todos os presos tem a própria Bíblia, se não providencie para que eles não fiquem aéreos ao que acontece e que se familiarizem com ela.
    8. Ore cada dia para que Deus os socorra nas situações diárias e que eles possam tomar a decisão de estar ao lado de Jesus.
    9. Não se desencoraje facilmente. Às vezes a situação mais difícil produz decisões inabaláveis..
    10. Dê a série de lições que cubram todas as doutrinas da Adventistas Sétimo Dia .
  • Decisões

É durante as seções de estudo da Bíblia que o preso toma suas decisões. Muitas vezes durante a semana ele expressa a decisão de querer ser batizado. Essas decisões podem vir a qualquer hora durante o período de estudos bíblicos.

Eles não devem nunca ser forçados a aceitar a Cristo e as doutrinas da igreja, mas devem ser deixados decidir por si mesmos, para que assim eles mesmos digam se estão preparados ou não para o batismo.

  • Continuação

Depois de batizado o preso deve ter um trabalho de acompanhamento pois agora é um membro da igreja.

A continuação do estudo da Bíblia irá fortalecer a sua fé e comunhão com Deus. Com o passar do tempo eles podem ser encorajados a ingressar no ministério e ajudar outros presos através do relato de sua conversão e assim ganhar mais almas para Cristo.

Quando puder, esses presos devem ser encorajados a ir para a igreja e assim estar em comunhão junto com os irmãos da mesma fé que eles. Enfatizar a importância da comunhão sabática para que quando cumprirem sua pena e forem, eles estejam juntos conosco para uma nova vida.

CAPÍTULO 7

MINISTRANDO AS FAMÍLIAS

Semanalmente o conselheiro testemunha de Cristo e o preso responde as verdades espirituais ali apresentadas. Cria-se uma atmosfera de amizade e compreensão e daí fortalece um espírito amável e mais fiel a Cristo.

Depois de algum tempo de estudo é normal escutar a seguinte petição: você poderia falar com a minha família de que estou estudando a Bíblia e quero me converter.

Os presos em sua maioria deixaram famílias, mulheres e filhos e mesmo estando nesse triste momento, ainda se lembram e se preocupam com eles.

Talvez a parte mais difícil seja essa, pois achegar e conseguir unir uma família desfeita pelo erro de uma pessoa é a mais dolorosa tarefa desse ministério.

É importante que o trabalho não seja apenas com o preso, mas também com a sua família. Nesse manual existem algumas fichas que serão úteis nesse trabalho (Ver apêndice).

O conselheiro deve procurar a família do preso e colocá-lo a par da situação da pessoa e a intenção de ajudá-la a se recuperar.

Alguns passos o ajudarão a desenvolver melhor esse trabalho.

  • Ligue para a família do preso e sonde o ambiente que vai encontrar, uma voz zangada pode ser uma barreira a transpor com cuidado.
  • Depois vá até a casa e procure saber de suas necessidades e supri-las na medida do possível.
  • Na próxima visita se estiver tudo correndo bem, leve histórias bíblicas para as crianças e comece a conversar sobre coisas que os interessem para depois introduzir a verdades bíblicas.
  • Nessas visitas você pode encontrar vários tipos de problemas que os familiares dos presos lidam no dia a dia. Ajude-os quando possível, mas sempre tenha alguém especializado no que você precisar ao seu lado.
  • Ajuda com comida e roupa, devem ser dispensadas somente a famílias que não tenham condição para prover isso. Não perca tempo nem esforço em ajudar quem não necessita.

Seguindo essas regras o conselheiro terá um ministério eficaz e, assim, além de ganhar almas para Jesus, estará ajudando outras pessoas a refazer suas vidas desfeitas.