Missão Urbana

União Central Brasileira

Evangelismo Pela Conversação

Mark Finley

 Algum tempo atrás, um recém-converso me procurou parecendo estar ansioso, e disse: “Mark, eu realmente irritei os meus parentes. Na verdade, meus familiares estão tentando me expulsar de casa.” Perguntei-lhe o que poderia tê-los magoado tanto assim. O jovem então me contou que ficara muito impressionado com um sermão que eu pregara sobre o Sinal da Besta, tão impressionado que deu uma fita com o sermão aos seus familiares católicos. Ele não podia compreender por que eles estavam tão irados.

Então, eu lhe pergunte: “Fred, o primeiro estudo bíblico que dia a você foi sobre o Sinal da Besta?” Fred pensou por um momento e lembrou que eu havia falado sobre Jesus, a cruz, a redenção, a volta de Jesus, durante algum tempo antes de apresentar o Sinal da Besta. Deixei bem claro que QUANDO dizemos algo é tão importante quanto O QUE dizemos. Às vezes, tentamos empurrar as pessoas muito rapidamente, e super alimentá-las com doutrinas. Mas os bebês na fé a princípio precisam de leite.

Isaías 50:4 nos mostra três elementos vitais muito importantes para o Evangelismo pela Conversação: “O Senhor me deu língua de eruditos, para que eu saiba dizer boa palavra ao cansado. Ele me desperta todas as manhãs, desperta-me o ouvido para que eu ouça como os eruditos.” Aqui nós vemos uma pessoa cujas palavras são instruídas pelo Senhor, que aprendeu a dizer palavras que sustentam o cansado, que sabe quando ouvir e quando falar.

É possível falar palavras certas, da maneira certa, na hora errada. É possível falar as palavras certas, da maneira errada, na hora certa. É possível falar as palavras erradas, da maneira certa, na hora certa. PARA SERMOS BEM SUCEDIDOS NO EVANGELISMO PELA CONVERSAÇÃO DEVEMOS SABER O QUE DIZER, COMO DIZER E QUANDO DIZER. Por vários anos, meu pai foi Adventista do 7o. Dia e minha mãe, católica. Minha mãe fumava e comia porco, meu pai não. Minha mãe ia à igreja no domingo, meu pai no sábado. Mas não havia discussão sobre religião em nossa casa. Havia respeito mútuo. Papai até nos levava de carro à igreja todos os domingos e esperava no carro, estudando a lição da Escola Sabatina.

Um dia, a mãe de minha mãe, que sofria de câncer por algum tempo, faleceu no hospital. Mamãe chamou papai no trabalho, e chorou em seus braços por meia hora. Então ela disse: “Mamãe se foi! E ela está sofrendo – provavelmente no purgatório!” Meu pai respondeu gentilmente: “Glória, eu lhe disse muito pouco sobre a morte, durante esses anos, porque eu não queria ofender você. Mas será que posso agora lhe explicar o que a Bíblia ensina sobre a morte?”

Minha mãe chegara a ponto da necessidade, o ponto da abertura; ela estava pronta para ouvir. Assim, pela Escritura, meu pai apresentou sua crença de que a morte era uma espécie de sono e que aquele ente querido estava esperando a ressurreição. Minha mãe dormiu bem naquela noite e conseguiu ir ao funeral. No sábado seguinte ela levantou cedo, colocou uma roupa bonita, e disse: “Jim, vou à igreja com você.” AS PALAVRAS CERTAS FALADAS DA MANEIRA CERTA NA HORA CERTA FAZEM TODA A DIFERENÇA. Precisamos pedir a Deus que nos conceda palavras apropriadas para falarmos às pessoas que encontramos todos os dias. Podemos aprender muito sobre o Evangelismo pela Conversação examinando dois modelos básicos. O primeiro modelo visa tomar uma conversação casual e dirigi-la gentilmente, e de maneira lógica, a um pouco espiritual.

METAS DE CONVERSAÇÃO

  • Estabelecer relacionamento
  • Descobrir interesse
  • Dar testemunho pessoal

Para começar, estabeleça algum laço comum mostrando que se preocupa com as outras pessoas. Olhe para elas como seres humanos, e não apenas como prováveis interessados. Então tente descobrir os interesses das outras pessoas. Faça perguntas e partilhe seus próprios interesses. Se você descobrir que alguns dos interesses da pessoa têm implicações espirituais, ou se relacionam a algum princípio bíblico, então você pode falar sobre estas conexões e posteriormente dar o seu próprio testemunho.

Uma vez visitei um homem que ameaçava expulsar o próximo pastor  adventista que viesse à sua casa. Sua esposa adventista avisou-me para não ir, mas assim mesmo marquei uma visita. Perguntei a ela qual era o principal interesse de seu marido e ela me disse que eram armas. Portanto, logo após bater à porta e me apresentar, comecei a perguntar-lhe sobre sua coleção de armas. Eu não sabia absolutamente nada sobre armas, nunca tocara em uma em toda a minha vida, mas eu podia mostrar interesse, podia fazer perguntas.

Este homem, que havia sido tão hostil antes, tornou-se acessível e começou a conversar entusiasticamente sobre aquilo que lhe interessava. A seu convite, fomos para o quintal, praticar tiro ao alvo, e fui capaz, com a ajuda de Deus, de acertar alguma coisa. Mais tarde, durante a visita, consegui gradualmente mudar nossa conversa sobre armas para uma conversa sobre o mau uso de armas no mundo e a esperança bíblica de um fim para o sofrimento e a morte. No Sábado seguinte este homem veio à igreja com sua esposa.

O Evangelismo pela Conversação começa onde as pessoas estão. Você começa com armas, ou futebol, ou inflação, ou crianças, e GRADUALMENTE MUDA PARA COISAS ESPIRITUAIS. Se as pessoas mostram alguma resistência a este processo, se alguma luz vermelha se acende, então você não deve prosseguir. Você simplesmente continua a conversa, tanto quanto o interesse da pessoa permite, e termina dando o seu testemunho – ou talvez deixando alguma revista ou livreto.

Vamos agora considerar o segundo modelo que pode nos ajudar bastante no Evangelismo pela Conversação. Vamos chamá-lo o modelo da cebola, pois é como se fossem várias camadas que vão sendo retiradas. Os seres humanos podem ser vistos como um conjunto de camadas, que vão desde assuntos gerais, mais superficiais até conceitos e crenças mais profundas. Naturalmente as pessoas a princípio se relacionam umas com as outras ao nível de interesses gerais – o tempo, as notícias, o meio ambiente – e então progridem para áreas de interesse específico – trabalho, hobby, família. Quando as pessoas passam a se conhecer um pouco mais, elas avançam para áreas de interesse filosófico – propósito da vida, assuntos morais – e finalmente para interesse espiritual – como nos relacionamos com Deus.

Quando encontramos a pessoa pela primeira vez, não podemos ir diretamente ao seu íntimo. Temos que pedir permissão para falar sobre coisas que podem ser muito sagradas para ela. Fazemos isto demonstrando primeiro um interesse na pessoa como ser humano. Começamos com áreas de interesse geral e então vamos removendo as camadas – na medida em que a outra pessoa tem vontade de fazê-lo.

Quando viajava da Suécia para Londres, sentei-me, no avião, ao lado de um executivo. Começamos a conversar falando do local onde ele morava – interesse geral. E então gradualmente a conversa foi dirigida para o nosso trabalho – interesse específico. Falei para ele que eu era um Diretor Ministerial da Igreja Adventista do 7º Dia e perguntei qual era a sua área de trabalho. Quando conversamos mais sobre nossas ocupações, ele começou a falar sobre o stress que estava sofrendo em seu trabalho. Mencionei algumas coisas que havia descoberto e que estavam me ajudando a combater o stress – uma boa alimentação, caminhadas ao ar livre. Em seguida, já que ele começara a falar sobre problemas em seu trabalho, eu perguntei: “Diga-me, o que lhe dá o mais profundo significado de sua vida?” Eu estava mudando a conversa para áreas de interesse filosófico.

Ele pensou um pouco e deu a resposta comum a respeito do trabalho e da família. Perguntei o que daria significado à sua vida, se estas coisas lhe fossem tiradas. Ele não soube responder. Isto me deu oportunidade de mudar para o interesse espiritual. Perguntei-lhe se acreditava num Deus Criador capaz de dar significado à vida até mesmo em meio às perdas e tristezas da vida. Ele confessou que não pensava muito nestas coisas.

Assim cheguei a ponto de pedir permissão. Este é o ponto de transição para partilhar a nossa fé. Não podemos forçar as nossas crenças sobre aqueles que não querem ouvir. Sempre devemos pedir licença. Eu disse àquele executivo: “Posso partilhar com você com eu encontro paz pessoal e soluções para o stress em minha vida?” Ele replicou: “Sim, prossiga.” Então eu pude falar sobre a minha fé em um Deus que nos criou e que nos ama e que tem plano para nossas vidas.

Lentamente nós vamos retirando as camadas até atingirmos o ponto do interesse espiritual. E então dizemos aquelas duas palavras tão importantes “Eu posso..” Certa noite eu estava conversando com uma agente de viagem. Falamos sobre os diferentes lugares da Europa que havíamos visitado – coisas de interesse geral. Então eu perguntei sobre o seu trabalho como agente de viagem. Ela precisava viajar muito? Eu estava mudando para o interesse específico. Ela gostava de viajar.

Então lhe perguntei: “Não é difícil para você passar tanto tempo longe de sua família?” Havia uma ponta de tristeza em sua voz quando ela disse: “Não sou mais casada.” E contou-me que estivera casada por três anos e que seu marido a abandonara. Então ela mudou a conversa para a área de interesse filosófico. Sempre tivera vontade de fazer uma pergunta a um clérigo: “o aborto é crime?”

Perguntei-lhe por que fazia esta pergunta; ela começou a chorar e contou uma longa e dolorosa história a respeito de relacionamentos infelizes e um aborto. “Aconteceu há 17 anos,” ela me contou. “Eu odeio a mim mesma e estou cheia de culpa.”

A esta altura eu disse aquelas duas importantes palavras. Pedi permissão para mudar para a área de interesse espiritual: “Eu posso partilhar com você o que eu descobri na Bíblia sobre nos livrar da culpa?” Ela disse que sim.

Então eu partilhei aquele maravilhoso texto que nos assegura que se confessamos nossos pecados, Deus nos perdoa e nos purifica de toda injustiça. (I João 1:9) Contei para aquela mulher que ela podia ser perdoada naquele momento. Ajoelhamo-nos em oração e a conduzi na primeira oração de sua vida. Então ela me disse: “Pela primeira vez em 17 anos, sinto-me em paz.”

Muitas pessoas ao nosso redor todos os dias estão carregando fardos pesados e escondidos.

Através do Evangelismo pela Conversação, removendo cortesmente as camadas, podemos alcançar estas áreas de necessidade. E então pedimos permissão: “Eu posso partilhar com você como me libertei da culpa?”

“Eu posso lhe contar como consegui superar a perda de um ente querido?”

“Eu posso contar o que eu encontrei no relacionamento com Cristo?”

Se demonstramos genuína preocupação com os outros, eles abrirão seu coração, quando nós abrirmos o nosso. Vamos de agora em diante procurar fazer amigos para Deus, com a palavra certa, falada da maneira certa, e na hora certa.

DISCUSSÃO E PARTICIPAÇÃO

  1. Em que áreas de interesse filosófico (objetivo de vida, assuntos morais) as pessoas demonstram mais interesse atualmente?
  2. Como obtemos o direito de falar sobre coisas que são muito importantes, ou mesmo sagradas, para uma pessoa?
  3. Pense em conversações (sobre qualquer assunto) que você teve com conhecidos que foram muito agradáveis e conversas que fizeram você ou a outra pessoa se sentir apreensiva. O que fez a diferença?
  4. Fale sobre o compromisso da última semana. Como está indo? Conte como você foi capaz de concordar, aprovar e aceitar a pessoa ou pessoas que está pretendendo alcançar.

COMPROMISSO

Nesta semana tente mudar a conversa, com um amigo ou conhecido, do interesse geral para o específico, e dos filosóficos para o espiritual. Lembre-se das importantes palavras “Eu posso…”

INTERAÇÃO COM A PALAVRA

  1. Efésios 4:29 é uma grande admoestação que podemos considerar como uma promessa em nosso testemunho. Observe como o conselho de Paulo relaciona-se ao que falamos, como falamos e quando falamos.
  2. Fale com suas próprias palavras a descrição de Evangelismo pela Conversação encontrada em Col. 4:5,6.
  3. Como I Pedro 3:15 sugere um equilíbrio entre estar sempre pronto a partilhar nossa fé e fazê-lo com sensibilidade e respeito?
  4. Observe o modo como Cristo tratou até mesmo um miserável paralítico com respeito (João 5:1-9). Como Jesus expressou esta importante questão: “Eu posso…?”