Missão Urbana

União Central Brasileira

De Vento em Popa: Oração em Missão

Por Tim Crosby (traduzido por Emilio Abdala de Adventist Misson in the 21 Century)

Permita-me outra analogia. Imagine alguém que levou um barco à vela para alto-mar com as velas enroladas e guardadas. Tal pescador estaria fazendo um trabalho desnecessário, certo? Eu pergunto se às vezes não estamos gastando muita energia remando em círculos quando tudo o que precisamos fazer é alinhar as velas para receber o vento.

Isso não significa que não há trabalho. Há vários anos atrás, o capitão Dennis Conner recuperou o titulo da corrida de Iates da Copa das Américas. Foi um evento histórico. Aqueles que assistiram pela televisão vão lembrar-se dos marinheiros esforçando-se em cada músculo do corpo. Mas eles estavam remando o barco e fornecendo força? É claro que não. O poder estava circulando livremente ao redor deles. A tarefa era manipular a vela com toda a força para o melhor aproveitamento do vento.

Como vento, o Espírito de Deus move-se de maneiras misteriosas. Algumas vezes o barco da fé fica inerte na água – o Espírito Santo não está se movendo. Então uma brisa inesperada é enviada e o move por sobre as ondas. Deus tem Sua maneira de agir. O Espírito Santo é soberano e move-se inesperadamente. Mas Ele Se move em resposta à oração. Os grandiosos atos de Deus não são planejados, organizados ou anunciados, eles são desencadeados quando alguém ora.

A história está repleta de orações heróicas. Permita-me contar uma situada fora da nossa tradição Adventista do Sétimo Dia. Hudson Taylor foi um jovem voluntarioso que tinha uma mãe e uma irmã de oração. Um dia sua irmã prometeu orar todos os dias até a conversão de seu irmão. Um mês depois, Hudson, para não ficar entediado, estava concentrado na leitura de um livro qualquer quando seus olhos foram atraídos para a frase “O fim do trabalho de Deus.” Isto capturou a sua atenção, depois o seu coração. Naquele momento o Espírito Santo deu a notícia a sua mãe, que estava se joelhos por causa de seu filho, que suas preces foram respondidas. Hudson Taylor tornou-se conhecido como um dos pioneiros das missões modernas. Ele deu sua vida à China e fez da oração a base de seu ministério. Mais tarde em sua carreira, quando o ministério que ele tinha estabelecido precisava de novos trabalhadores, ele mandou um telegrama a todos os cristãos de Londres que dizia: “Orando por novos trabalhadores em 1887.” Quatro anos antes ele havia orado por 70 novos funcionários durante um período de três anos, e Deus atendeu à oração enviando 100 em um ano, algo sem precedentes. Hudson também orou por $50,00 de renda extra sem solicitação. E mais, ele também orou a Deus para que as doações viessem em largas quantias de dinheiro.

E o que realmente aconteceu em 1887? Seiscentos homens e mulheres dedicaram suas vidas a servir como missionários, os quais cento e dois foram selecionados para a obra na China. Além disso, $ 55,00 de renda extra veio sem qualquer espécie de apelo. E veio de apenas onze pontos de origem.

Não digo que tudo foi como vento fácil para Taylor. Oração nem sempre previne a dor ou perdas temporais. Durante a revolução Boxer, muitos dos convertidos de Taylor, que tinham se tornado obreiros na causa, foram massacrados, e missões foram queimadas – tudo apesar das determinadas orações. Depois da morte de Hudson Taylor, um homem com o nome de D. E. Host o substituiu. Ele escreveu um livro intitulado Behind The Ranges. Ele estava tentando analisar um problema que percebeu enquanto trabalhava em duas vilas na China. As pessoas, com quem ele trabalhava e orava não estavam muito bem espiritualmente. Mas na outra vila, os cristãos estavam indo bem! Então ele começou a perguntar a Deus o que estava acontecendo. Como aquelas pessoas que estavam a distancia poderiam estar melhor espiritualmente do que aquelas com quem ele vivia e trabalhava?

O Senhor o impressionou a ver que embora ele gastasse muito tempo aconselhando, pregando e ensinado com aqueles com quem vivia, ele gastava muito mais tempo em oração por aqueles a distancia. Ele concluiu que havia quatro elementos básicos em fazer discípulos: 1º oração, 2 º oração, 3º oração, 4º Bíblia, nessa ordem e nessa proporção.

A oração também funcionou na América, como está ilustrada na história do reavivamento de 1858, contada pelo Dr. J. Edwin Orr. Um homem de oração chamado Jeremias Lamphier decidiu começar um grupo de oração na sala de cima no edifício da Igreja Holandesa Reformada do Norte em Manhattan. Ele distribuiu folhetos convidando pessoas a juntarem-se a este grupo de oração, e da população de um milhão de habitantes compareceram seis pessoas. Na semana seguinte 14 compareceram, depois 23, e então o grupo resolveu reunir-se todos os dias para orar. Logo, a igreja ficou cheia, depois a igreja Metodista na John Street, então a igreja Episcopal da Trindade na esquina da Wall Street com a Broadway.

Em fevereiro de 1858, igreja estava completamente cheia. Morace Greeley, o famoso editor, enviou um repórter com um cavalo e um microfone escondido ao redor para ver quantos estavam pregando. Em uma hora ele detectou só 12 encontros, mas ele contou 6.100 pessoas.

Então o movimento de oração começou a explodir, dez mil pessoas foram convertidas em Nova Iorque. O movimento espalhou-se pela Nova Inglaterra, onde os sinos da igreja traziam pessoas para orar às 08h00min da manhã, ao meio dia e às 06h00min da noite. Cerca de um ou dois milhões de pessoas de uma população de 30 milhões foram convertidos naquele pais, e o reavivamento espalhou-se em muitos outros.

Quando o reavivamento alcançou Chicago, um jovem sapateiro veio à igreja Congregacional e perguntou se podia ensinar na escola dominical. O superintendente disse: “Me desculpe, eu já tenho 16 professores, mas vou colocá-lo na lista de espera.” O jovem disse:

– “Eu quero fazer algo agora”.

– “Bem, inicie uma classe”

– “Como posso iniciar uma?”

– “Trabalhe com alguns garotos. Então os traga aqui e essa será a sua classe.”

Esse jovem reuniu um grupo de meninos em uma praia no lago Michigan e os ensinou versos da Bíblia e jogos Bíblicos. Então os levou para a Igreja Congregacional. Seu nome era Dwight Lyman Moody, e esse era o começo de seu ministério, que durou 40 anos. Anos depois, Dwight L. Moody, agora como evangelista renomado, estava em Londres, já há alguns meses, enquanto uma nova igreja estava sendo construída em Chicago. Ele estava determinando a não pregar, mas um pastor insistiu com ele para pregar em sua igreja. Depois que ele pregou no domingo de manhã, gentilmente disse que voltaria à noite. Mencionou que nunca havia tido uma experiência tão difícil ao pregar em sua vida. A igreja estava absolutamente fria e morta, sem um traço da mudança do Espírito de Deus.

Contudo, naquela manhã houve uma mudança extraordinária. A igreja estava abarrotada e o lugar estava quente e alegre com o Espírito Santo. Moody disse: “Os poderes de um mundo invisível desceram sobre o auditório”. Moody ficou impressionado ao fazer um chamado, contrário aos seus planos, e ver 500 pessoas irem à frente. Ele as mandou sentarem de volta, pensando que elas haviam entendido errado, e então fez o apelo novamente. O mesmo grupo avançou novamente. Um reavivamento maior começou naquela igreja e naquela vizinhança. Centenas de vidas foram mudadas.

O que fez a diferença naquela noite? Um dos membros da igreja tinha vindo do culto matutino para o lugar onde ela e sua irmã, que não podia andar, moravam. Quando ela contou a sua irmã que um visitante de nome Dwight L. Moody havia pregado, sua irmã empalideceu e disse: “eu li sobre ele há algum tempo atrás em um jornal americano, e eu tenho orado a Deus para enviá-lo a Londres e para nossa igreja. Se eu tivesse sabido que ele estava indo pregar esta manhã, eu teria deixado de tomar café e teria orado por ele enquanto pregasse. Agora irmã, saia da sala e feche a porta e não me dê jantar, e não importa quem venha, não deixe que me vejam. Eu vou orar por toda a tarde e noite.” E esse era o segredo do sucesso de Moody em Londres. Alguém orou para que os obstáculos fossem quebrados.

A oração também provou ser extremamente importante para a missão dos Adventistas do Sétimo Dia. Maxwell, enquanto estava pastoreando no sudeste da Califórnia, descobriu o plano de dar a cada um de seus membros um pequeno livro de bolso para manter uma ativa lista de cinco nomes. Estes livrinhos tinham uma pagina para cada pessoa, com espaço para vários fatos sobre essa pessoa. O pastor Maxwell pediu a esses membros para guardar este livrinho e orar por estes nomes todos os dias. Ele descobriu que a cada 18 meses, na média, ele poderia batizar uma pessoa entre cinco.

Loren Nelson foi chamado para ser pastor em Cottage Grove, Oregon, 1973. Ele acreditou no poder da oração, e então pediu a seus membros para listar todos seus amigos que gostariam de ver batizados, para que os colocassem na sua lista de oração pessoal. A única condição solicitada era que os membros fossem nas casas destas pessoas, e se aproximassem deles em amizade. Loren fez uma lista com 86 nomes e começou a visitar e orar.

Três anos depois Loren foi chamado para um novo distrito. Antes de ir embora, ele centralizou sua atenção no primeiro nome da lista. Este homem nunca havia sido batizado. Loren discutiu a questão com seu primeiro ancião, que se propôs a orar por toda a noite. No dia seguinte este homem fez uma decisão, foi batizado e se tornou o novo ancião daquela igreja. E quanto aos 85 nomes da lista? O trabalho fervoroso resultou no batismo de 86 pessoas em três anos!

Dr. Paul Y. Cho descobriu o poder da oração como um jovem pastor de uma congregação carismática. Ele estava pastoreando uma igreja na Coréia de 3.000 cristãos, quando ele anunciou que Deus o estava chamando para gastar mais tempo com ele em oração. Alguns destes membros, contudo, o queriam para gastar quatro ou cinco horas em oração. Outros membros da diretoria não concordaram com suas prioridades e o abandonaram. Logo a igreja começou a crescer. A igreja do Doutor Cho em Seul, Coréia, alcançou aproximadamente 800.000 membros – a maior congregação do mundo.

Dr. Cho foi interrogado acerca do segredo do seu sucesso. Aqui estão os três elementos do crescimento de uma igreja de sucesso de acordo com o pastor da maior igreja do planeta: (1) oração, (2) oração, (3) oração. “Há uma grande diferença da igreja na América e da igreja da Coréia”, diz Dr. Cho: “A igreja da América possui muitos projetos, mas pouca oração, a igreja na Coréia possui muita oração e poucos projetos.”

Dr. Cho possui 800.00 membros, um jornal cristão com uma circulação de mais de um milhão de cópias, 800 missionários que a igreja envia ao redor no mundo, e uma grande universidade cristã. Então como ele encontra tempo para orar por várias durante o dia?

A resposta, claro, é que seria impossível fazer todas estas coisas sem orar por varias horas por dia. Aqui está uma das mais excitantes descobertas: Ninguém perde tempo por orar; ao contrário, só ganha. Por quê? Porque em um momento Deus pode resolver problemas que levariam meses para ser resolvidos por nós. ”Eu descobri que meu melhor e minhas idéias mais criativas vêm a mim quando gasto tempo com Deus em oração. Aqueles que tagarelam uma oração de três minutos de manhã, estão perdendo algumas das melhores idéias em sua carreira. Orações feitas de coração funcionam.

O Dr.Cho disse que quando sua alcançou 300000 membros, um pastor de uma igreja de 3000 membros o visitou. O pastor disse: ”Dr. Cho, preciso entender algo. Sou um pastor coreano como o senhor o é, mas você tem 300 mil e eu tenho três mil, então algo não está claro para mim.”

Então o pastor, sem nenhuma arrogância, começou a comparar a sua formação com a do Dr. Cho. “Eu me preparei na América, enquanto você estudou em uma escola Bíblica aqui na Coréia. Além disso, tenho comparado as gravações dos seus sermões com os meus sermões. Penso que prego melhores sermões. Agora o que eu não entendo é por que eu prego melhor, tive melhor preparo acadêmico, e só tenho três mil membros, enquanto você tem 300 mil.”

O Dr. Cho respondeu: “Você ora?”

“Oh sim”, disse o ministro.

“Quanto?”

Ele respondeu: “Eu oro 30 minutos diariamente.”

Após uma pausa, esse ministro perguntou ao Dr. Cho: “E quanto tempo você ora?”

O Dr. Cho respondeu: “Algo em torno de uma a três horas por dia.” Então, num sorriso completou: “A diferença entre 30 minutos e 3 horas é a diferença entre 3 mil e 300 mil.”

A igreja de Cho não é a única igreja cristã que prioriza a oração naquele país. Toda Coréia do Sul está inflamada com a oração. É claro que existem fatores sociológicos: a nação tem a espada de Dâmocles pendurada sobre sua cabeça – por décadas, tem-se enfrentado a perspectiva de invasão pela Coréia do Norte. Calma e abundância geralmente levam à satisfação, mas o perigo dirige homens e mulheres para Deus.

Por isso os cristãos na Coréia são os campeões da oração. (coincidentemente talvez, seus estudantes são os campeões mundiais de matemática, colocando-se no primeiro lugar em uma competição internacional feita há alguns anos atrás. Estudantes americanos ficaram em último. Humm. Talvez a oração na escola não seja uma má idéia).

Dr. Peter Wagner visitou uma vez uma igreja presbiteriana na Coréia. Ele foi convidado para visitar a reunião de oração de manhã bem cedo. A hora da oração. A igreja se dispôs a se encontrar às 05h00min da manhã para uma hora de oração. Nesta manhã em particular havia uma tempestade terrível, e o Dr. Wagner suspeitou que poucos estariam presentes. Imagine sua surpresa ao encontrar 4.000 pessoas preenchendo cada cadeira daquele auditório às 05h00min da manhã da pior manhã do ano.

Como resultado de toda oração, coisas notáveis aconteceram na Coréia. Um capelão que foi transferido da Alemanha para a Coréia, descobriu que os mesmos sermões que atraíram poucas respostas na Alemanha, atraíram multidões e mudou vidas na Coréia.

Eu acredito que os adventistas não têm enfatizado a oração das Missões. Estamos em tempo de guerra. E em tempo de guerra é importante conhecer nossas armas. Freqüentemente pensamos que a oração é uma arma defensiva. Alguma coisa para nos proteger da mal. Mas oração é mais que uma mera arma defensiva. É uma arma ofensiva, para ser usada contra o reino das trevas. Nossas armas, disse Paulo, não são as armas do mundo. Ao contrário, ele insiste, elas possuem divino poder para destruir fortalezas (2 Co 10:4). Nenhuma bomba de mil megatons pode atingir as fortalezas que buscamos destruir. Nós temos algo mais forte, tão forte que Cristo disse que as portas do inferno não prevalecerão sobre ela. (Mt 16:18)

Suspeito que muitas pessoas tomam este fato para explicar que os portões do inferno estão atacando a igreja. Mas portões não atacam. O que o verso diz é que os portões do inferno não são capazes de resistir. É a igreja que ataca – ou supõe-se que seja. Então com uma promessa como esta, por que não lutamos de joelhos para resgatar aqueles que foram pegos no reino da escuridão e trazê-los ao reino da luz?

As orações de Daniel resultaram em três semanas de guerra entre o Anjo de luz e o príncipe da escuridão, controlando a nação da Pérsia (Dn 10). Como resultado Gabriel venceu porque Daniel jejuou e orou por três semanas. A luta de Daniel com Deus em oração ajudou a determinar o destino de sua oração

O ponto de todas estas historias é que o poder de Deus é derramado costumeiramente em uma nação ou em uma igreja quando um pequeno grupo de pessoas se junta para fazer da oração uma prioridade em suas vidas. Por que não desencadear nesse poder agora mesmo?