Missão Urbana

União Central Brasileira

Dando um Passo pela Fé

Quatro leprosos se banqueteando em um acampamento sírio abandonado ao lado de fora de Samaria, têm algo a nos ensinar sobre ganhar almas. Eles vagueavam ao redor dos muros de Samaria, por ocasião do cerco, em completo desespero. Cada pessoa na cidade estava morrendo de fome. De maneira miraculosa, Deus pôs o exército sírio em pavorosa fuga. Agora os leprosos começaram a tomar posse de cada espólio e a provar do armazém de víveres abandonado. De repente, eles olham para o incrível achado e dizem: “Não fazemos bem. Este é um dia de boas novas, e nós nos calamos… Agora, pois, vamos, e o anunciemos à casa do rei” (II Reis 7:9). Cada crente tem tido o privilégio de se banquetear com um incrível achado: a graça de Deus manifesta em Jesus Cristo. Nossa sorte mudou dramaticamente, temos a riqueza da Palavra de Deus que nos alimenta continuamente. Não podemos ousar guardar essas boas novas para nós mesmos. Temos de partilhá-las. Isto significa dar um passo pela fé, estabelecer um alvo pessoal de conquista de almas. Muitas pessoas podem honestamente dizer: “Eu gostaria de ganhar um alma.” Mas, nunca fazem nada para isso. Tudo fica no sonho. Mas estabelecendo um alvo é diferente; isso envolve uma meta específica.

Definição de alvo: Um alvo é uma visão nascida nos momentos de oração acerca do que cremos que Deus deseja que realizemos neste tempo e neste lugar. Os grandes líderes da Bíblia estabeleceram alvos. Abraão tinha como meta alcançar a cidade cujo arquiteto e construtor é Deus. Moisés tomou a resolução de guiar Israel à terra prometida. Daniel nunca esqueceu o alvo divino de livrar Israel do cativeiro babilônico. Esdras e Neemias empenharam-se na tarefa de reconstrução dos muros e do templo de Jerusalém, fixando alvos específicos (Neemias 2:12). Os verdadeiros alvos são:

1. Inspirados pelo Espírito – O homem de Deus deve ter uma visão das coisas espirituais. Deve ser capaz de ver “as montanhas cheias de cavalos e carruagens de fogo”. Guilherme Carey olhava para o mundo todo no mapa, enquanto seus companheiros estavam preocupados com suas pequenas igrejas. Henry Martin viu a Índia, a Pérsia e a Arábia – mundo muçulmano – enquanto a igreja, em sua terra natal, se engalfinhava em disputas teológicas. Ajoelhe-se diante de Deus e peça que Ele lhe dê uma visão da Sua tarefa. Peça, também, que Ele o ajude a usar, da melhor maneira, os dons e habilidades em sua situação. Os melhores alvos não são caprichos ou projetos acariciados, mas objetivos específicos. Não é um desejo vago, mas um passo específico.

2. Mensuráveis – Os alvos envolvem ação específica, algo mensurável. “Tentarei ser uma boa testemunha esta semana” não é um alvo mensurável. “Vou dedicar 3 horas cada semana para estudar a Bíblia com alguém” é um alvo mensurável. “Aumentar a eficiência na evangelização” não é mensurável.  Preparar 100 evangelistas voluntários dentro de 6 meses, é mensurável. “Se você não pode medir, não pode controlar” – disse Paul J. Meyer do Sucess Motivation Institute.

3. Atingíveis – Os verdadeiros alvos devem ser realísticos. Uma pessoa que cuida da sua família, trabalha 40 horas semanais e ainda se compromete em testemunhar cada noite da semana, estabeleceu uma meta irrealística. Um compromisso de dedicar uma noite por semana ou uma tarde por semana em trabalho missionário específico é mais razoável

4. Desafiadores – Conquanto nossos alvos devam ser atingíveis, eles também devem exigir o nosso máximo. Uma pessoa que treina levantamento de pesos, sempre tentará erguer alguns quilos a mais. Temos que sair do casual e do costumeiro. Temos que dar um passo de fé e dizer: “Com a graça de Deus, farei isto cada semana.” As metas de Josué e Calebe eram inatingíveis em termos de capacidade humana – havia gigantes e fortalezas. “Não podemos subir contra aquele povo”, disseram. Mas, deram o passo da fé, aceitaram o desafio, e 40 anos depois aquela meta tornou-se atingível para ele.

Seu alvo pessoal de conquista de almas pode ser vital para que se faça do testemunho, um modelo de vida. Alvos são importante para a igreja como um todo.Uma pesquisa sobre Crescimento de Igrejas realizada pela Universidade de Andrews, concluiu:

“Congregações tendem a alcançar alto crescimento quando elas projetam elevados alvos. Assim, nós não criticamos o estabelecimento de metas de crescimento de igrejas ou de batismos. Esses alvos não são apenas permissíveis; eles são necessários para que a igreja cumpra a sua missão. Congregações que querem crescer e desejam se esforçar para atingir o crescimento estabelecem alvos específicos.” (Adventures in Church Growth, Roger Dudley, p. 61.)

Um estudo realizado entre as 100 maiores igrejas do Ocidente descobriu o que faz com que as grandes igrejas sejam grandes e as pequenas sejam pequenas. As pequenas tendem a se concentrar em seus problemas. Não há alvos ousados que as desafiem a alcançar a comunidade. Geralmente, estão preocupadas com o vazamento da água ou na escolha do novo tapete. Os líderes da Igreja Full Gospel da Coréia, sob a liderança do Pr. Paul Yongii Cho consideram os alvos como declaração de fé. Estabeleceram o alvo de 50.000 novos membros para 5 anos, conseguiram. Então, dobraram para 100.000, conseguiram. Depois para 150.000, 200.000, 500.000. Por isso, é considerada a maior igreja do mundo.

Processo de estabelecimento de Metas

1º – Membro individual estabelece o seu alvo de conquista de almas para o ano. Quanto maior o número de membros comprometidos, maior o crescimento e menor a apostasia.

2º – A igreja estabelece alvos e planos para alcançá-los após estudar a comunidade e suas necessidades,  avaliar os recursos da congregação, projetar ao máximo possível o desempenho de cada membro e votar os planos com toda a igreja. Vejamos um plano-mestre sugestivo para o crescimento, que qualquer igreja poderia usar para orientar-se por metas definidas. Há cinco elementos essenciais de um plano para umaa igreja que cresce:

1 – Reavivamento. Primeiro, precisamos planejar a motivação da vida espiritual dos membros da igreja. Planeje retiros, vigílias, grupos de oração e atividades que tenham o objetivo de renovar a fé. Antes que Deus faça algo através de nós, o Espírito Santo precisa fazer algo acontecer em nós.

2 – Treinamento. Igrejas não crescem, a menos que sejam equipadas para o serviço. Ao darmos oportunidade ao Espírito Santo de reavivar as pessoas, o passo seguinte é dar treinamentos. Elas necessitam, também, exercitar o aprendizado. Temos que ensinar ao povo como testemunhar, como apresentar o evangelho, como levar almas à decisão e como desenvolver projetos comunitários: saúde, stress, etc.

3 – Semeadura. Agora nós iniciamos os diferentes ministérios da igreja, dando aos membros a oportunidade de usar os seus dons no serviço. Ação é essencial e é o clímax do treinamento. Sem isso, o treinamento acaba contribuindo para a ociosidade de conhecimentos.

4 – Colheita. Nesta fase, a todas as pessoas que têm estado interessadas e cultivadas pelas várias formas de ministério, são dadas a oportunidade de fazer um compromisso público. Nesse processo de colheita, nós convidamos as pessoas a priorizar suas necessidades últimas – reconciliação com Deus.

5 – Nutrição. Novos crentes precisam ser fundamentados na fé. Agora que eles se comprometeram com Cristo, eles precisam aprender como alimentar esse compromisso cada dia – desenvolvendo a vida devocional. Depois disso, o círculo começa novamente. O crescimento continua.

Ser Ganhador de Almas Significa Assumir Riscos

Um jovem pastor de uma grande igreja evangélica decidiu promover um espetáculo para levantar fundos. Um dos programas seria a apresentação de um trio de trapezistas. O pastor observava sob a grande tenda alguns jovens praticarem. Ao olhar para cima, casualmente ele observou: – “Isto não parece difícil”. Brincando, um dos rapazes disse: “Bem, então tente pastor! Vá em frente, tente!” Os outros se uniram ao coro, cada vez mais alto: “Tente, tente, pastor tente!”

Desejando preservar a sua reputação, ele hesitantemente consentiu. Quanto mais alto subia, mais receoso ficava. As suas mãos suavam. O único consolo era a  rede estendida abaixo. Um dos artistas disse: “Pastor, quando eu soltar a barra do trapézio, estenda as mãos e mergulhe.” Ele precisava agora assumir os riscos. Lá em baixo, ouvia-se o coro: “Vá, pastor!” Finalmente, ele segurou a barra em suas mãos e pulou, balançando para frente e para trás em meio aos aplausos dos adolescentes embaixo. Ele experimentou a recompensa de assumir riscos! Nós precisamos assumir alguns riscos se queremos causar impacto para Deus. David Livingstone correu riscos ao adentrar-se nas florestas da África para evangelizar. Guilherme Carey abandonou sua sapataria para levar Cristo à Índia. Robert Morrison navegou para a China a despeito das inúmeras razões que diziam que isto não podia ser feito. Lembro-me da minha primeira campanha evangelística com tendas no Triângulo Mineiro, região conhecida pela forte presença espírita.

Após ter enviado o auditório para Uberaba, o evangelista principal ficou impossibilitado de conduzir a campanha, e a Associação pedia a tenda de volta. Porém, eu como pastor já havia feito todos os preparativos, o território estava semeado com centenas de cursos bíblicos e a igreja motivada. Resolvi assumir os riscos e pregar eu mesmo, a despeito da pouca experiência  e falta de recursos. Muitas foram as advertências vindas de colegas, mostrando-me os riscos de tal empreendimento. Porém, a minha igreja dizia: “Tente, Pastor! Vá em frente, tente!” Com o apoio da igreja, a campanha demonstrou ser um sucesso, e foi a partir dessa experiência que recebi o meu primeiro convite para atuar como evangelista de campo. Graças a Deus, que em Cristo sempre nos conduz ao triunfo” (II Coríntios 2:14). Assuma riscos em treinar os membros da igreja para alugar auditórios, distribuir convites e conduzir cruzadas evangelísticas. Assuma riscos em fazer apelos em cada sermão, não temendo o constrangimento de poucas decisões, mas confiando que em Deus o seu trabalho não será em vão. E se, como o servo de Eliseu, seus associados virem apenas as hostes do inferno ordenados para a batalha, declare como o profeta: “Não temas, porque mais são os que estão conosco do que os que estão com eles” (II Reis 6:16). Louvado seja Deus! Nós temos a absoluta certeza do sucesso. Deus nunca falha. Na eternidade poderemos olhar para trás e medir os resultados de nossa ousada confiança em Deus em assumir riscos. Amém!