Missão Urbana

União Central Brasileira

5 maneiras de evangelizar durante a pandemia do Covid-19

Emilio Abdala

Entre as muitas perturbações causadas pelo coronavírus, os líderes da igreja se viram repentinamente confrontados com o desafio de testemunhar sem contato face a face e pastorear seus rebanhos sem se reunir corporativamente. Isso significa que as igrejas em todos os lugares, muitas pela primeira vez, estão explorando como fornecer conteúdo de ensino on-line.

Em meio a circunstâncias incomuns e difíceis, nossa missão permanece a mesma porque “o evangelho não pode ser colocado em quarentena.” Isso não significa que a missão seja fácil. Todos nós fomos despertados para “consertar o avião no ar.” Onde as massas buscarão conforto neste difícil momento de pandemia? Meca está deserta. O papa ficou sozinho em São Pedro. As igrejas estão vazias. Aqui estão cinco ideias simples para aproveitar esta temporada para avançar o evangelho.

1. Tente alcançar um amigo ou familiar perdido.

Eu estou aproveitando esse tempo de distanciamento social para marcar reuniões de Zoom com a família. Pergunte como eles estão e como você pode orar por eles nesse período de incerteza. É o momento perfeito para quebrar o gelo com amigos não-cristãos com quem você não conversa há um tempo. Nunca conheci alguém ofendido por uma oferta de oração.

Pegue sua lista de amigos e envie uma mensagem para todos que você conhece. Incentive os membros da sua igreja a procurar amigos e estabelecer horários para alcançá-los. Use o Zoom ou de alguma outra maneira para vê-los cara a cara. Faça algo curto e simples. Nunca conheci alguém ofendido por uma oferta de oração. A maioria das pessoas aprecia o cuidado e a preocupação genuínos.

2. Grave seu testemunho e compartilhe-o nas redes sociais

 Todo mundo está online agora, e a maioria tem mais tempo disponível, por isso a transmissão ao vivo tem um grande potencial. Prepare um testemunho de dois minutos e compartilhe-o casualmente por vídeo nas mídias sociais. Você pode se surpreender com quantas visualizações e comentários receberá. Incentive as pessoas a comentar ou enviar mensagens com perguntas. Considere responder perguntas ao vivo ou aprofundar a conversa por mensagem direta ou por smartfone.

3. Realize campanhas de distribuição de literatura

Um pastor na zona sul de São Paulo  me disse que a sua igreja está realizando campanhas de doação de alimentos, deixando sacolas plásticas com um livro dentro para que as pessoas o retirem e substituam por alimentos. Igualmente, livros são colocados dentro das sacolas de alimentos para as pessoas carentes.

Nem toda pessoa vem a uma igreja ou série de reuniões evangelísticas para ouvir o evangelho. O trabalho de distribuição de literatura nos permite entregar as mensagens de Deus nas mãos dessas pessoas, que também precisam desesperadamente ouvi-las: “Nossas publicações podem ir a lugares onde não se poderão realizar reuniões. Em tais lugares, o distribuidor de livros e folhetos toma o lugar do pregador vivo. Pela obra de publicações a verdade é apresentada a milhares que de outro modo não a ouviriam” (CEv 8.2).

Devemos também considerar os meios de comunicação social como um novo meio empolgante pelo qual as pessoas podem se tornar expostas à Palavra de Deus. Facebook, Instagram, Twitter e outras redes sociais estão enraizadas na cultura popular e podem ser usadas como meios para colocar a verdade nas mãos e nas casas das pessoas. As igrejas estão começando a descobrir a utilidade desses meios, bem como outras formas modernas de comunicação. Elas estão usando mensagens de texto em grupo para que os ministérios melhorem a comunicação e para construir e manter comunidades unidas, especialmente entre os jovens.

4. Realize projetos sociais de atendimento às necessidades

Uma crise pode criar oportunidades missionárias. Hoje, há pessoas necessitadas que não estavam há um mês atrás. E as pessoas tendem a ser receptivas à mensagem de Cristo durante uma fase de problemas e transição. O período em que as pragas devastaram o Império Romano: a Peste Antonina (165-180 d.C.) e a Peste Cipriana (249-262 d.C.) foi de grande crescimento do cristianismo.[1] O sociólogo Rodney Stark observou em seu livro O triunfo do cristianismo que os cristãos procuravam ajudar os doentes, mesmo arriscando suas próprias vidas: “Indiferentes ao perigo, cuidaram dos enfermos, atendendo a todas as suas necessidades e ministrando-os em Cristo”.[2] O mesmo ocorreu em 1527, durante a Peste Negra ou Peste Bubónica, que se espalhou por toda a Europa, matando perto de 60 milhões de pessoas e destruindo quase 2/3 da população. Enquanto muitos fugiam, o grande reformador protestante Martinho Lutero e sua esposa Katherine, depois de passar muito tempo em oração, decidiram que ficariam.[3] Eles viram uma enorme oportunidade para o ministério e serviço para Cristo. Eles transformaram sua casa em um hospital e começaram a ministrar para curar todos os afetados pela praga.

E o que tudo isso significa para você e eu hoje? Em vez de ceder ao medo, veja a crise como uma oportunidade para atender às necessidades da comunidade e cultivar o solo do coração humano através de um relacionamento de confiança para dar relevância e credibilidade à proclamação do evangelho.

Aqui na zona leste de São Paulo, por exemplo, algumas igrejas têm aproveitado o momento para iniciarem projetos como a doação de máscaras, ginástica para quarentena, encontros para empreendedores, cursos de gastronomia, etc. Outro exemplo vem da rede UNASP que está promovendo cartilhas educativas em Saúde para orientar a população em como cuidar da higiene, melhorar a imunidade e conviver com pessoas que tem a COVID-19.

  1. Crie Classes Bíblicas virtuais e séries de colheita online

Sua igreja provavelmente terá muitos visitantes on-line nas próximas semanas. Você pode configurar uma chamada pelo WhatsApp ou Zoom e compartilhar o evangelho com aqueles que expressaram interesse em coisas espirituais. Foi o que fiz com as pessoas da minha área que entraram em contato com a Novo Tempo durante a Semana Santa. Liguei para 35 pessoas me identificando com a Novo Tempo e convidando-as para um grupo de estudo da Bíblia via WhatsApp e Zoom. Tenho 25 pessoas comigo.

Nas últimas semanas, muitos dos meus amigos pastores tornaram-se evangelistas digitais. Conversei recentemente com um pastor que se sentiu estressado com todos os detalhes de montar uma transmissão ao vivo e aprender rapidamente como pregar para uma pequena câmera. A produção de vídeo não é fácil e consome muito tempo. Aqui estão algumas sugestões práticas de como as redes sociais podem ser usadas para a comunicação da Palavra de Deus:

  • Seja visual: Compartilhe a tela, usando imagens e vídeos para reforçar o ensino. As ilustrações fazem com que as pessoas tenham tanto a oportunidade de ver, como de ouvir a mensagem. Esse duplo impacto reforça a verdade e ajuda o pregador a manter-se focado no assunto. E não se esqueça de desligar o seu WhatsApp, pois o som da chegada de mensagens será ouvido na transmissão sem que você perceba;
  • Permita vídeo desligado: Muitas pessoas não querem o constrangimento de mostrar a sua casa ou o seu rosto, por isso não insista que ativem o vídeo;
  • Adicione intervalos para reflexão. Divida o ensino com perguntas guiadas de discussão/reflexão. Isso ajudará a entender seus pontos e dará oportunidades para o espectador envolver o material com outras pessoas (em casa ou online).
  • Inclua mais vozes: incorpore o diálogo entre as pessoas em seu serviço on-line.
  • Crie espaço para relacionamentos. Faça enquetes. Inclua um período de perguntas e respostas.

Sinto que este momento de crise é a oportunidade para dar ao mundo respostas que somente a Palavra de Deus dá. O mundo secular pode explicar por que coisas assim acontecem. Com certeza podem lhe dizer que X + Y = Z, mas não podem lhe dar o significado mais profundo, filosófico e teológico. Mas a Palavra de Deus aborda crises como esta, e explica-nos como e por que elas acontecem. Ela também dá esperança, segurança, paz e conforto. Talvez nunca tenhamos um momento mais oportuno para proclamar as boas

[1] Water, M. (2001). The New Encyclopedia of Christian Martyrs (p. 222). Alresford, Hampshire: John Hunt Publishers Ltd.

[2] Stark, R. (1991). Epidemics, Networks, and the Rise of Christianity. Semeia, 56, 160.

[3] https://thehill.com/opinion/white-house/488675-the-plague-coronavirus-and-martin-luther-why-they-all-matter-now