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Missão Urbana

União Central Brasileira

Levanta e Entra na Cidade

Por Marcelo E. C. Dias

Ao longe, o calor parecia derreter as pedras do deserto, mas a razão buscava estabelecer que os olhos avistavam vestígios dos muros do destino. Pelas contas, a viagem já durava mais de 200 quilômetros e essa era a manhã do sexto dia de viagem. Bastava a etapa final para o encontro com os melhores damascos do mundo e continuar a missão contra os insubmissos.

O histórico vitorioso, a reputação eficiente e o respaldo oficial impulsionavam Saulo e seu grupo até a chegada, embora respirando ainda ameaças e morte (Atos 9:1). O motivo da viagem era o zelo pela ordem e progresso da sociedade, dissolvendo movimentos insurgentes. Saulo não era o executor, mas um oficial do conselho que, no momento da votação, dizia sim à pena de morte.

Ultimamente, a sua preocupação havia sido com Jerusalém, mas inesperadamente vários rebeldes que pertenciam ao Caminho haviam fugido de lá, e agora agitavam outros centros como Damasco, mesmo após verem um dos seus líderes ser apedrejado.

O local era um oásis no meio do deserto pela abundância das águas do rio Barada. Era um centro conhecido pelo comércio dos artesãos locais e viajantes da Via Maris e da Rodovia dos Reis. Era um símbolo de qualidade e moda–quase uma Paris do primeiro século. Mas Damasco também havia se tornado um “terreno fértil” no deserto espiritual devido à grande comunidade de judeus e, principalmente, pela presença dos discípulos de Cristo.

Foi esse segundo oásis que transformou a vida de Saulo ao ponto de nunca mais esquecer a cidade de Damasco. Paulo foi convertido neste caminho, Judas e Ananias o acolheram, recebeu a cura, o Espírito Santo e foi batizado (Atos 9:5, 11 e 17).

A Missão de Deus. Por volta do meio-dia, quase chegando em Damasco, em numa aparição gloriosa, Jesus se revela para Saulo. Em meio a uma luz cegante, as dúvidas do rapaz sobre Ele acabam e um período de submissão se inicia em que ele é conduzido pela mão até a comunhão com a igreja.

O Discípulo Ananias. Apesar de Saulo ser o protagonista que se tornou a referência na cidade, existe um coadjuvante nesta história que merece destaque. Ananias – piedoso conforme a lei – tinha um bom testemunho de todos os judeus, era um discípulo típico. Colocou-se à disposição do Senhor, respondeu ao Seu chamado, recebeu a revelação e a ordem de Deus para que ajudasse Paulo; teve medo, mas obedeceu (Atos 9:10-14 e 17).

A Missão de Paulo. Mas a experiência de Paulo ainda não estava completa. Foi em Damasco que começou sua missão sob a nova autoridade. Após se encontrar com Deus, e permanecer alguns dias em Damasco com os discípulos, ele logo começou a pregar a Jesus (Atos 9:20).

O Discípulo Paulo. A experiência de Paulo em Damasco ainda é destacada por duas razões. Primeiramente, Saulo se fortalecia cada vez mais, apesar de Lucas contrastar essa condição com a fraqueza do rapaz após o jejum de três dias e o fortalecimento após ter se alimentado (Atos 9:9,19 e 22). Desta vez, a ênfase é na sua condição espiritual. O seu testemunho tornava-se cada vez mais forte. Em segundo lugar, Paulo havia passado a pregar ousadamente em nome de Jesus (Atos 9:27). Quando Lucas relata que Saulo demonstrava que Jesus é o Cristo, ele utiliza uma linguagem que pode ser ilustrada como alguém que coloca as peças do quebra-cabeça juntas para revelar a figura incrivelmente mais importante do que os pedaços.  O zelo de Paulo agora era ainda maior, pois era santificado. Havia sido transformado de perseguidor em testemunha. De legalista em recebedor da graça de Deus (Filipenses 3:6).

A Providência de Deus. À vista dos demais, Paulo era um traidor e, por isso, passou de perseguidor a perseguido. Mas Deus o protegeu dos perigos da cidade. Ele ficou sabendo que os judeus tinham um plano para matá-lo, que incluía vigiar as saídas da cidade. Os discípulos usaram um cesto para descer Paulo por uma janela (2Coríntios 11:33) na muralha e dar-lhe oportunidade de continuar a sua missão.

Hoje, Damasco, na Síria, parece ter se esquecido das suas origens como oásis e ter se mesclado com a paisagem desértica dos arredores. O comércio de especiarias, tapetes e sedas ecoa as tradicões do passado, mas o ritmo da religião é marcado pelos chamados à oração emitidos pelos minaretes (torre de mesquita). De1,7 milhão de habitantes, apenas 15% são cristãos.

Apesar da rua Direita ainda cruzar a cidade de leste a oeste, de Bab Sharquia Bab al-Jabiye, poucas pessoas parecem conhecer o Caminho. Paulo e Ananias viraram santos de uma minoria e inimigos de uma maioria.

Damasco fica no Oriente Médio, mas a maioria da população mundial, inclusive a brasileira, mora em cidades que apresentam aspectos semelhantes. Muitos vivem perdidos na escuridão, precisando de um encontro com a luz e uma conversão para o único caminho. Porém, por vários motivos, descartamos o contexto urbano como um terreno fértil para a semente do evangelho. A experiência de Paulo pode ser duplicada. Pense nisso!

Deus declarou a Ananias que Paulo era o Seu “instrumento escolhido” (Atos 9:15). Deus, hoje, busca discípulos que possam fazer discípulos dEle. Se estivermos dispostos a cumprir a missão, Deus nos chama, como Saulos e Ananias modernos: “Levanta e entra na sua cidade”.

 

mecdias@hotmail.com

Professor de Teologia no UNASP-EC, atualmente cursando o doutorado em Missiologia na Universidade Andrews (EUA)